A matemática e o tricot: Como usar cálculos simples para ajustar uma peça de tricot ao nosso corpo

Olá a todos!

Costumo por vezes participar num grupo de tricot no facebook, e já vi surgir várias vezes perguntas do género: Com quantas malhas começo uma camisola? Como posso fazer uma camisola cintada? Sabiam que a resposta a estas perguntas pode ser dada apenas usando simples cálculos matemáticos? Vou mostar-vos como!

A primeira coisa que é essencial é fazer-mos uma amostra do ponto que queremos usar, seja ela de crochet ou tricot. Eu sei que a maioria de vocês tricotadores e crochetadores não gostam nada de fazer amostras mas esta é uma parte essencial para os nossos cálculos e permite-nos saber se gostamos da combinação fio e agulha antes de nos lançarmos a um projecto que nos vai levar semanas, meses ou mesmo anos a fazer.

Uma amostra pequena é suficiente, mas para garantir a precisão dos nossos cálculos é sempre melhor fazer uma amostra de um bom tamanho –  15cm de largura por 15cm de altura é suficiente e permite perceber se o tecido vai alargar muito ou não com o uso, se o fio é muito áspero, se ganha borboto. Façam a vossa amostra e lavem-na como fariam à vossa peça tricotada ou crochetada. Deixem a amostra pendurada com algum peso na base (umas molas de roupa funcionam bem), usem a vossa amostra junto à vossa pele para saber se acham o fio áspero. Não há nada pior que passar meses dedicados a uma peça de roupa e depois ela ficar muito apertada ou muito larga, ou não a conseguirem usar porque o fio faz-vos alergia. Se acham um desperdício o fio que gastaram na amostra, imaginem que tinham comprado 12 novelos de um fio e tricotaram uma camisola que vos fez empolar todo(a) da primeira vez que a usaram? Uma amostra é rápida de fazer, e se gostarem podem voltar à loja em menos de uma semana para comprarem o resto do fio que precisam. Se querem ter uma ideia da quantidade de fio que vão precisar, podem também pesar a vossa amostra, e depois calcular quanto vão precisar para ter a área final de tecido necessária.

Agora que temos a nossa amostra vamos contar o número de malhas e de carreiras que estão num quadrado de 10cm de lado.

counting-stitches-knitting-gauge

A segunda coisa que é essencial para uma camisola bem dimensionada são as dimensões do nosso corpo:

1. circuferência do peito – esta medida é a que é usada para escolher um tamanho num modelo de tricot, e é a que define o tamanho dos ombros da camisola, se escolherem uma medida muito baixa não vão conseguir mexer-se na camisola, e se escolherem uma muito grande a camisola também não assenta bem. Por isso aconselho às senhoras que retirem 2.5 a 5cm a esta medida – geralmente fica mais bonito uma camisola mais apertada no peito. Como os senhores na generalidade não usam camisolas justas, ou cintadas aconselho que acrescentem pelo menos 2,5cm a esta medida, e mantenham a mesma medida em toda a camisola, caso tenham uma barriguinha mais proeminente podem fazer a parte de baixo da camisola mais larga que o peito..

2. circuferência acima do peito (substitui a medida do peito para as senhoras com um busto grande, ou seja com mais de 5cm de diferença entre esta medida e a medida do peito). Se estão a usar esta medida para escolher um tamanho acrescentem 2,5 a 5cm para conseguirem mexer os braços.

3. circunferência da cinta – adicionem pelo menos 5cm.

4. circunferência da anca – depende um pouco do look da camisola, mas para uma camisola ajustada eu diria para as senhoras não adicionarem nada, e para os senhores manterem sempre a mesma medida do peito para toda a camisola.

5. Distância entre o peito e a cinta.

6. Distância entre a cinta e a bainha da camisola.

Se a camisola que queremos fazer é começada a partir da bainha, e depois cresce até ao peito, vamos começar por montar o número de malhas suficiente para a circunferência da anca. Começamos por obter o nosso número de malhas por centímetro – dividimos o número de malhas da amostra em 10 cm, por 10; e depois multiplicamos esse número de malhas por centímetro pela circunferência da anca. Geralmente para evitar que a camisola enrole é feito um canelado durante alguns centímetros. Depois de fazermos o canelado podemos começar a diminuir o nosso número de malhas até obtermos a circunferência da cinta.

Para sabermos quantas malhas temos que diminuir, primeiro calculamos quantas malhas vamos ter na cinta: multiplicamos o número de malhas por centímetro que obtivémos a partir da amostra, pela circunferência da cinta. Para sabermos quantas malhas vamos diminuir subtraímos as malhas com que começamos a camisola às malhas na cinta. Em cada carreira de diminuição vamos diminuir 4 malhas, duas na parte da frente da camisola e duas na parte de trás da camisola. Podemos fazer estas diminuições em toda a largura da camisola, mas para que não se notem normalmente são feitas nos lados, onde ficariam as costuras da camisola. Normalmente usam-se diminuições espelhadas usando o “tricotar 2 malhas juntas” do lado esquerdo, e a “passar, passar, tricotar em meia” do lado direito. Para sabermos de quantas em quantas carreiras vamos fazer estas diminuições, primeiro determinamos quantas carreiras de diminuições fazemos: vamos começar por dividir o número de malhas que temos que diminuir por 4. Depois vamos calcular as carreiras que temos para distribuir estas diminuições: (distância entre a bainha e a cinta – comprimento do canelado)x número de carreiras por centímetro, calculado a partir da amostra. Para saber de quantas em quantas carreiras, dividimos o número de carreiras que temos pelo número de carreiras de diminuições que vamos fazer. Agora sabemos que precisamos de fazer uma carreira de diminuições a cada x carreiras, ou seja [tricotamos x-1 carreiras, fazemos uma carreira com as 4 diminuições], repetimos até termos completado as carreiras de diminuições.

Da cinta para o peito os cálculos são feitos exactamente da mesma forma, só que em vez de fazermos diminuições, vamos fazer aumentos. Começamos por saber quantas malhas vamos ter no peito: multiplicamos o número de malhas por centímetro pela circunferência do peito, e para sabermos quantas malhas vamos aumentar subtraímos as malhas do peito às malhas na cinta. Em cada carreira de aumentos vamos acrescentar novamente 4 malhas, duas na parte da frente da camisola e duas na parte de trás da camisola, e vamos fazê-las nos mesmos pontos em que fizémos as diminuições. Também podem usar aumentos diferentes em cada lado, usando o “aumento à esquerda” do lado esquerdo e o “aumento à direita” do lado direito. Para sabermos de quantas em quantas carreiras vamos fazer os aumentos dividimos o número de malhas que temos que aumentar por 4, e para calcular as carreiras que temos para distribuir os aumentos multiplicamos a distância entre o peito e a cinta pelo número de carreiras por centímetro. Para saber de quantas em quantas carreiras, dividimos o número de carreiras que temos pelo número de carreiras de aumentos que vamos fazer. Agora sabemos que precisamos de fazer uma carreira de aumentos a cada x carreiras, ou seja [fazemos uma carreira com os 4 aumentos, tricotamos x-1 carreiras] e repetimos até termos completado as carreiras de aumentos.

Caso tenham decidido fazer a vossa camisola a partir dos ombros os cálculos são feitos exactamente da mesma forma, só que em vez de diminuírem malhas da anca para a cinta, e depois aumentarem da cinta para a anca, diminuem do peito para a cinta e depois aumentam da cinta para a anca.

Espero que esta explicação extremamente verbosa vos seja útil, e caso não tenham percebido alguma coisa deixem um comentário.

😀

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One thought on “A matemática e o tricot: Como usar cálculos simples para ajustar uma peça de tricot ao nosso corpo

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