A história de dois fios / A tale of two yarns

Olá Olá !

Hoje vim como prometido partilhar dois dos fios que acabei recentemente. Como tenho estado a trabalhar neles há tanto tempo, estes fios realmente têm uma autêntica história. 

Em primeiro vou voltar a contar-vos a história dos meus primeiro velos. Estes velos pertenceram às ovelhas da prima do meu namorado e infelizmente foi o último velo que estas ovelhas produziram. A minha história com esta lã começou por salvá-la da fogueira no Verão passado, escolhi as melhores porções de lã dos vários velos e lavámos a lã usando um método que a Avó do T. usava quando ainda era tecedeira e fiava a lã para usar nas mantas que tecia. 

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Depois de seca, trouxe-a para casa e levei um montão de tempo a retirar toda a matéria vegetal que continha. Também tentei tirar a imensa quantidade de borbotos mas foi de todo impossível tirá-los a todos, se o fizesse ficava sem lã para fiar. Para  a preparar comprei um par de cardas levemente usadas e fiz rolags. Fiei os rolags no estilo woolen na velocidade mais baixa da minha roda, dividi a lã por duas bobines e depois torci as duas juntas usando a mesma velocidade.

E aqui está o resultado final:

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O fio é um sport a DK muito fofo. O fio ficou com 2885 metros por kg de fibra (grist) e cerca de 11wpi (voltas por polegada). O fio é bastante irregular e por isso é difícil obter uma medida de wpi com precisão. A irregularidade deve-se à grande quantidade de borbotos que a lã tinha, com uma lã desta qualidade é quase impossível ter um fio completamente liso e consistente. Ainda tenho os pedaços de lã que estava mais suja por processar, nem sequer tenho a certeza se será usável. Esta lã foi fervida durante algum tempo para limpar e realmente ficou muito melhor, mas queria tingi-la antes de a processar.

Comecei a fiar o segundo fio ainda em Novembro, e foi a maior quantidade de lã que fiei até hoje. A lã que usei foi uma lã cardada (“roving”) da raça de ovelha Romney Marsh, que comprei à tintureira Sara’s Texture crafts. É um dos velos de alta qualidade que ela própria seleccionou e tinha disponível para venda. Ela indicava que era lã penteada, mas a mim parecia-me mais cardada e por isso decidi fiá-la no estilo “woolen”, primeiro no meu fuso turco e depois na velocidade mais baixa da minha roda.

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Fiz um pequeno vídeo da minha técnica a fiar esta lã no estilo woolen, quase que sem suporte, técnica que eu chamei de “à preguiçosa”, porque realmente não exige muito de mim. 

Lazy ass long draw spinning #howispin #handspun #spinnersofinstagram #shackletoncal #zerotohero2016

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Depois de fiada toda a lã, torci 3 fios juntos usando a mesma velocidade. O fio resultante está emtre o DK e um worsted leve.

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As várias meadas (7) ficaram todas bastante consistentes quando se considera o wpi e ângulo da torção (11 wpi e 30º respectivamente), mesmo entre meadas fiadas e torcidas em fusos e na roda. Considerando o grist, a diferença máxima que tive entre as várias meadas foi de 11%. Para primeira tentativa fiquei bastante contente com a minha consistência. Acho que se alternar entre meadas enquanto tricoto irei conseguir que mal se note as diferenças entre as várias meadas. Ainda não me decidi no modelo, mas irei tricotar um casaquinho, talvez outro Audrey in Unst ou então um Deco.

E é tudo o que tenho para partilhar acerca dos meus lindos fios fiados à mão. Realmente nestes últimos meses tenho estado apaixonada pelas lãs nos seus tons naturais, mas ainda não  me fartei e continuo a achar imensa graça a fiar lã pintada à mão.

Até breve 😉

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Hi guys!

Today I’m sharing two yarns I’ve been working on for so long that they truly have a tale to tell.

I’d first like to retell the story of my first fleece. This used to belong to sheep from my boyfriend’s cousin and unfortunately it was the last clip of these particular sheep. The fleece’s story started by being rescued from burning last summer. I chose the nicest bits of wool and we washed it similarly to the method used by my boyfriend’s grandmother used way back when.

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After drying I brought it home and took a very long time to thoroughly de-VM the fleece. I also tried to remove the huge amount of neps it had, but I had to let some get through or the amount of waste would be enormous. I’ve bought a pair of lightly used hand cards to prepare this fleece, I made rolags and then spun it woolen on the slowest whorl on my wheel. I filled two bobbins and then plied them together on the same whorl.

And here is the end result:

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I got a very fluffy sport to light DK yarn. My final grist is 2885 meters per kg, and I got around 11wpi in the final skein (I say around because it’s really thick and thin and therefore hard to get an accurate measurement). It’s quite irregular, but with so many neps on the yarn I wasn’t expecting a smooth and totally even result. I still have the less “nice” bits of wool left to process. I’m not sure if they’re usable, these we boiled for a while but I wanted to dye the locks before processing.

The second yarn I started spinning it in November, and it is my largest spinning project to date. I spun it a lovely soft brown roving from Romney Marsh wool. I got it at Sara’s Texture crafts, it’s one of her grade A hand selected fleece tops, but it felt more like roving to me. I decided to spin it woolen style, first on my turkish spindle, and then on the slowest whorl of my wheel.

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I made a small video of my almost unsuported long draw woolen spinning technique AKA “lazy spinning”.

Lazy ass long draw spinning #howispin #handspun #spinnersofinstagram #shackletoncal #zerotohero2016

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After spinning I plied three singles together on the same whorl. The resulting skeins were very consistent in 11 wpi and 30º spin angle, even between skeins that were spun and plied on the spindle and skeins spun and plied on the wheel. Even considering grist, the maximum difference I got between skeins was about 11%, so I’m really happy with my results.

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The resulting yarn is also quite fluffy and is more on the DK to light-worsted range. I plan to use it for a cardigan, I’m still pondering whether to knit another Audrey in Unst or a Deco cardigan.

And that’s all about my lovely handspun skeins. These past months I’ve been quite devoted to the bare wools on my spinning but I promise that I still love to have fun with dyed fiber.

See you soon 😉

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3 thoughts on “A história de dois fios / A tale of two yarns

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